Um fuxico bem contado

O sertanejo sempre foi muito devoto da doutrina católica. Conservador no que diz respeito às tradições da igreja.

Por conta disso, quase sempre batizou seus filhos com nomes de Santos canonizados pela fé romana. Assim avultou-se as terras nordestinas com Josés, Joãos, Antonios, Vicentes, Franciscos...

São tantos nomes comuns que se utiliza o artíficio de acrescentar o nome do pai após o nome do filho para não confundir as pessoas. João de Antonio Belo, Raimundo de Zé preto...

Valmir de Antonio de André vinha ligeiro do mercado público contar uma novidade à sua doce mãe:

-Mãe posso contar um fuxico?

-O que é menino?

-Chico de Xixico e Xixico de Chico Carlota quebraram cinco xícaras lá em Chico Quinco.

-vixe Maria, ô menino fuxiqueiro.

Zacarias Berto leva surra de Caipora.

Zacarias Berto caçava tranqüilo em uma região nas proximidades do sítio Santo Antonio, acima do sítio Letreiro, município de José da Penha, quando percebeu um burburinho no mato, preparou seu rifle para abater o bicho quando o avistou ainda longe.

A raposa carregava em suas costas algo que o caçador não conseguira identificar, esperou o bicho aproximar-se um pouco mais e mirou no ser estranho que estava montado na raposa quando percebeu a bordoada, seu Zacarias foi agredido violentamente até perder os sentidos, chegando à sua residência em estado lastimável. Logo a culpa foi atribuída à Caipora, um ser que enriquece o folclore brasileiro como protetor de animais indefesos e fumante compulsivo que não nega uma boa sova a quem lhe recusa o tal cigarro de palha.

Seu Zacarias viveu o resto de seus dias taciturno pelos cantos. Sobre a Caipora evitou comentar, escondia as marcas que restaram do mitológico espancamento. Contra sua vontade ficou conhecido como Zacarias da Caipora.

Mt 5:9


"Bem-aventurados os que promovem a paz,
pois serão chamados de filhos de Deus". Mt 5:9

Ensaio sobre uma guerra

Sun Tzu produziu há mais de dois mil anos na China seu famoso clássico A arte da guerra, utilizado até hoje como base para planejamentos estratégicos e condutas militares.

Pelo que se extrai do aforismo do militar chinês, a hora é quem faz a vitória. Conhecer bem o inimigo e saber usar o discernimento a seu favor seria o ponto elevado da estratagema do General.

Toda arte militar baseia-se no ardil. Portanto, quando é capaz, finge incapacidade. escreveu ele.

A surpresa é principal arma, fingir fraqueza e apanhar de improviso o exército inimigo é o objetivo essencial da estratégia de Sun Tzu.

Finge inferioridade e encoraja-lhe a arrogância. Foi assim que o General Chao derrotou os Hsiung Nu que amedrotavam a China e por conta desses nômades se construiu a famosa muralha.

O inimigo, conhecendo sua superioridade desdenha o adversário e não toma as precauções devidas, o inimigo se torna arrogante diante de um adversário que julga pequeno.

Para Sun tzu " quando o trovão ressoa, não há tempo de tapar os ouvidos".

A filosofia militar chinesa, que foi também usada por Mao Tse Tung, serve de inspiração para basear nossas relações cotidianas. "O general que atentar à minha estratégia certamente vencerá".

Assim, se teu inimigo te subestimar, acreditar que é superior, imaginar-te fraco, deixa-o a vontade, pois quando teu ímpeto agigantar-se diante dele já não terá forças para subjugar-te e terá que reconhecer tua vitória.

Mosaico histórico sobre as relações entre homens e mulheres.

I-Pigmalião era um rei e escultor grego que vivia na ilha de Chipre, guardava enorme aversão às mulheres. Acreditava que a mulher levava o homem à ruina, só era livre enquanto vivesse sozinho. A mulher estava para o homem assim como um parasita para seu hospedeiro.

A arte de Pigmalião era perfeita, sua fama era formidável, sua presteza era descomunal. Tomado por uma grande inspiração, o rei grego começou a esculpir a mais bela obra que sua capacidade engendrou.

Quase que despretenciosamente foi surgindo de seu cinzel uma perfeita mulher de mármore.

Findada sua obra, Pigmalião contemplou-a extasiadamente e acabou se apaixonando por aquela que chamou de Galatéa.

Beijava os seus frios lábios, abraçava seu corpo híspido esperando uma refutação do calcário metamorfizado.

Restou implorar a Afrodite para fazer brotar vida da inanimada e bela pedra.

Satisfeito o desejo de Pigmalião, não se ouviu mais falar dele, não produziu mais suas obras, não apareceu mais nos eventos gregos, enfim, foi consumido pela ardente paixão que sentiu por Galatéa e nunca mais apreciou outra coisa senão a beleza de sua mulher.

II-Quando os Judeus eram dominados pelos Filisteus, surgiu de uma promessa de Javé um forte guerreiro chamado de Sansão. Imbatível com sua força incomum era temido pelos algozes do seu povo.

Encantou-se pela jovem e bela Dalila que o inquiriu até descobrir que a sua força vinha do seu comprido cabelo. Quando dormiu teve suas madeixas cortadas pela traidora por quem se apaixonou e quando os Filisteus o acordaram já não tinha forças para vencer seus inimigos.

Sansão teve os olhos furados e apesar de ter cumprido o propósito de Deus acabou morto.

III- Não podia haver mulher mais bela emais desejada do que Helena, sua beleza era divina, um anjo esculpido por Deus, casou-se com Menelau rei de Esparta.

Páris, príncipe de Tróia, embevecido com a harmônica proporção estética de Helena, foi absolvido por um amor desmedido.

Sem remédio para curar a forte atração que o dominava acabou rapitando Helena. Levou-a até a cidade de Tróia, certo de estar protegido pelos intranponíveis muros da cidade localizada na Anatólia. A paixão de Páris por Helena foi a ruína de tróia, foi o fim de um próspero reinado.

IV- Justiniano foi o último grande imperador romano, dedicado as artes e as ciências, responsável pelo famoso corpus jures civilis.

Na arte do amor, certamente, foi muito feliz. Casou-se com Teodora uma bela e ambiciosa mulher que foi arrancada de um antro de perdição pelo imperador. A ela, Justiniano deve o trono, haja vista que na revolta de Nike, o imperador encontrando-se perdido preparou-se para fugir e abandonar o reino e quando estava tudo pronto para fuga ouviu de Teodora: "Vai César, se queres fugir. Os navios te esperam. Eu fico. A púrpura é bela mortalha para imperatriz de Bizâncio".´Justiniano, introspectivamente, buscou no mais profundo íntimo de seu espírito forças suficientes para continuar na batalha depois que percebeu sua pequenês em relação a Teodora.

Brasileiríssima



A catarinense Fran Slaviero é quem abrilhanta a sessão brasileiríssima de hoje com seu corpo escultural e sua beleza rara.

Minha honra é inabalável.

Nunca escondi de ninguém as limitações que minha burrice me impõe, nunca imaginei que fosse digno de qualquer merecimento intelectual.

E assim como Sócrates, sempre me encontrei pequeno diante de tanto conhecimento que o mundo oferece, " Só sei que nada sei".

Para mim, nunca foi motivo de orgulho ser aprovado aqui ou ali, nisso ou naquilo; de ter lido tal ou qual autor; de saber de uma coisa ou de outra. Totalmente irrelevante para meu ego qualquer merecimento que alguém possa imaginar que eu tenha. Tudo que eu sei não é nada, haja vista o quanto me falta aprender.

A única coisa que me orgulha, que me eleva o brio e me enche o espírito de altivez é a minha honra e o meu caráter.

Não me causa nenhum constrangimento que me notem como um sujeito de curta inteligência, mas me causa grande mágoa quem duvida dos príncipios que aprendi a cultivar no seio da minha família, quais sejam, a dignidade, a probidade, a honestidade.

Em momento algum haverá vestígios para que duvidem da minha fé, não hesitarei em vigiar os preceitos básicos de minha honra, não vacilarei na defesa de meu caráter.

Destarte, o conceito que fazem sobre meus conhecimentos não tem a menor importância para mim, ao contrário do que pensam sobre minha autoridade moral. E quem imaginar em duvidar dela que tenha muita diligência na busca por indícios e que se desvie da má-fé. Tendo em vista que sou capaz de revirar até o mais obscuro grotão da terra, até o mais profundo oceano na defesa de minha dignidade.