Na postagem sob o título “o bolo capitalista só divide quando queima” sugeria a criação de um fundo capaz de amenizar os efeitos das crises que, vez por outra, assolam o sistema capitalista. Segundo José Dirceu em texto publicado no blog do noblat "Nos EUA, US$ 2,683 trilhões para salvar os bancos (ou 18,1% do PIB); no Reino Unido, US$ 1.476 trilhão (68,7%); na Alemanha, US$ 669,2 bi; no Canadá, US$ 631,1 bi (22,3%); na Irlanda, US$ 648,3 bi; e na Espanha US$ 376,3 bi. Isso além de Holanda, Suécia, Japão e outros países".
Na verdade, a medida que defendo não é nenhum mistério já que, no que tange ao sistema financeira já existe o FGC, fundo garantidor de crédito que protege os poupadores, investidores e correntistas de eventuais crises no presente sistema.
O fundo é uma entidade privada, sem fins lucrativos bancado pelas instituições financeiras que contribuem com uma porcentagem dos depósitos para sua manutenção.
Não seria nenhuma incógnita a criação de um mecanismo como esse para proteger empregos e minorar a erosão causada aos cofres públicos durante as adversidades do sistema com incentivos e financiamento de empresas privadas para garantir a vitalidade do capitalismo.
Talvez um percentual sobre os lucros poderia financiar o fundo, deveras o assunto requer um estudo mais aprofundado, todavia é necessário para que as angústias do capital não recaiam com tanta força sobre a sociedade.
Brasileiríssima
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Adriano Fontes
em quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
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Uma moça bonita de olhar agateadoDeixou em pedaços o meu coração
Uma onça pintada e o seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos de aço no chão
foi mistério e segredo, e muito mais
Foi divino brinquedo e muito mais
Se amar como dois animais
Meu olhar vagabundo de cachorro vadio
Olhava a pintada e ela estava no cio
E era um cão vagabundo e uma onça pintada
Se amando na praça como dois animais
Alceu Valença
Foto: www.revistratrip.com.br
Nem com Marx, nem contra Marx
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Adriano Fontes
em quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
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o título desta postagem não é inédito, já foi usado por Carlo Violi em excelente trabalho sobre os textos de Noberto Bobbio acerca do marxismo, no entanto o imaginei oportuno para esta publicação tendo em vista que a idéia da frase parece germinar com relevância nas idéias dos filósofos, pesquisadores contemporâneos e no senso geral.
No forum social mundial que está acontecendo no Rio Grande do Sul já não percebemos tantos marxistas convictos, barbas aparadas dão uma idéia do surgimento de uma nova filosofia de esquerda, quiçá, uma ideologia menos revolucionária e mais reformista.
Em relação ao forum econômico, que ocorre ao mesmo tempo na Suiça, há alguns anos os discursos vêm ganhando uma pauta sócioambeintal ao passo que abranda a fria arrogância dos donos do capital.
Pelo visto a aurora que reluz no horizonte parece que, aos poucos, está a fundir preceitos marxistas e neoliberais criando, talvez, um novo socialismo, ou será um novo capitalismo?
No forum social mundial que está acontecendo no Rio Grande do Sul já não percebemos tantos marxistas convictos, barbas aparadas dão uma idéia do surgimento de uma nova filosofia de esquerda, quiçá, uma ideologia menos revolucionária e mais reformista.
Em relação ao forum econômico, que ocorre ao mesmo tempo na Suiça, há alguns anos os discursos vêm ganhando uma pauta sócioambeintal ao passo que abranda a fria arrogância dos donos do capital.
Pelo visto a aurora que reluz no horizonte parece que, aos poucos, está a fundir preceitos marxistas e neoliberais criando, talvez, um novo socialismo, ou será um novo capitalismo?
O bolo capitalista só divide quando queima.
Postado por
Adriano Fontes
em quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
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Já faz algum tempo que predomina entre nós sistema econômico liberal que fundamenta-se primordialmente na autorregulamentação do mercado. Tal paradigma possui um status tão elevado que supera sobremaneira o poder intervencionista do Estado como bem aduz Vicente Bagnoli em excelente artigo publicado na revista visão jurídica. “A economia, desde então, sobrepõe-se ao direito que passa figurar na história como mero legitimador do pensamento econômico vigente”.
A ausência do Estado não se apresenta saudável nem mesmo ao próprio sistema capitalista, não obstante grande parte dessa doutrina entender que essa seja a maneira mais correta de se conduzir a economia. A própria história nos ensina que quando o mercado encontra-se relativamente a vontade acaba por esfacelar a economia, como ocorreu em 1929, obrigando o Estado Americano a adotar as medidas intervencionistas de Keynes.
Na verdade, não importa aos donos do capital o modelo utilizado pelo Estado para tutelar seus cabedais desde que conveniente seja na tempestade ou bonança, como esclarece o autor supracitado: “quando as coisas estão bem, afasta-se o Estado, quando estão mal, pede-se socorro ao Estado. Ocorre que o funcionamento do mercado depende do Estado, sem ele os próprios capitalistas destroem o sistema”.
O âmago da questão consiste, a meu ver, em uma solução menos onerosa para a sociedade nos momentos de crise, haja vista que nos bons momentos os bônus do sistema capitalista consubstanciam-se nas mãos de poucos, ao passo que os ônus são divididos entre todos quando o equilíbrio do sistema se rompe.
Por sorte, para amenizar os efeitos colaterais do sistema em comento se faz mister a criação de mecanismos capazes de suportar as lesões da estrutura econômica vigente. Creio eu que seria possível sustentar um fundo suprido com recursos do próprio capital capaz de socorrer a economia durante o infortúnio em vez de lançar o problema para quem em nada contribuiu para ele.
A ausência do Estado não se apresenta saudável nem mesmo ao próprio sistema capitalista, não obstante grande parte dessa doutrina entender que essa seja a maneira mais correta de se conduzir a economia. A própria história nos ensina que quando o mercado encontra-se relativamente a vontade acaba por esfacelar a economia, como ocorreu em 1929, obrigando o Estado Americano a adotar as medidas intervencionistas de Keynes.
Na verdade, não importa aos donos do capital o modelo utilizado pelo Estado para tutelar seus cabedais desde que conveniente seja na tempestade ou bonança, como esclarece o autor supracitado: “quando as coisas estão bem, afasta-se o Estado, quando estão mal, pede-se socorro ao Estado. Ocorre que o funcionamento do mercado depende do Estado, sem ele os próprios capitalistas destroem o sistema”.
O âmago da questão consiste, a meu ver, em uma solução menos onerosa para a sociedade nos momentos de crise, haja vista que nos bons momentos os bônus do sistema capitalista consubstanciam-se nas mãos de poucos, ao passo que os ônus são divididos entre todos quando o equilíbrio do sistema se rompe.
Por sorte, para amenizar os efeitos colaterais do sistema em comento se faz mister a criação de mecanismos capazes de suportar as lesões da estrutura econômica vigente. Creio eu que seria possível sustentar um fundo suprido com recursos do próprio capital capaz de socorrer a economia durante o infortúnio em vez de lançar o problema para quem em nada contribuiu para ele.
Retrospectiva 2009. fevereiro
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Adriano Fontes
em quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
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Pedro das Lages rouba mulher de Dedé
Dedé era um sujeito mal definido esteticamente, muito miúdo e acanhado mais parecia uma caricatura do que um homem. Casou-se com uma moça relativamente bonita, calada e boa dona de casa.
Nos primeiros anos viveram sob paz conjugal, mas nos últimos dias Dedé enveredara pelo mundo da cachaça e se distanciara do casamento. Maria começou a sentir a falta do marido nas obrigações matrimoniais.
Pedro das lajes, percebendo o vácuo deixado por Dedé, se aproxima da mulher fazendo elogios e se gabando dos seus carinhos. Com alguma insistência (mas não muita), conquista a carente esposa de um marido distante.
Com o rapto de Maria, Dedé fica sozinho, desolado, apreensivo, introspectivo repensando sua vida.
No domingo de manhã se levanta decidido, toma um café forte, se veste e sai em passos rápidos à casa de Pedro das Lajes. Se aproxima, percebe a porta aberta e seu rival cochilando na cadeira preguiçosa da sala.
Adentra sem permissão. Pedro se acorda assustado quando percebe aquele vulto à sua frente e de repente...
-Pedro, você carregou minha 'muié', eu fiquei sozinho, num tenho mais o que fazer com aquela cama de casal. Me compre a cama!
Dedé era um sujeito mal definido esteticamente, muito miúdo e acanhado mais parecia uma caricatura do que um homem. Casou-se com uma moça relativamente bonita, calada e boa dona de casa.
Nos primeiros anos viveram sob paz conjugal, mas nos últimos dias Dedé enveredara pelo mundo da cachaça e se distanciara do casamento. Maria começou a sentir a falta do marido nas obrigações matrimoniais.
Pedro das lajes, percebendo o vácuo deixado por Dedé, se aproxima da mulher fazendo elogios e se gabando dos seus carinhos. Com alguma insistência (mas não muita), conquista a carente esposa de um marido distante.
Com o rapto de Maria, Dedé fica sozinho, desolado, apreensivo, introspectivo repensando sua vida.
No domingo de manhã se levanta decidido, toma um café forte, se veste e sai em passos rápidos à casa de Pedro das Lajes. Se aproxima, percebe a porta aberta e seu rival cochilando na cadeira preguiçosa da sala.
Adentra sem permissão. Pedro se acorda assustado quando percebe aquele vulto à sua frente e de repente...
-Pedro, você carregou minha 'muié', eu fiquei sozinho, num tenho mais o que fazer com aquela cama de casal. Me compre a cama!
Providencial retorno de Marciel ao Canto do Buriti rendeu ao blog um saco de manga coité. Aguardo.
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Adriano Fontes
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De volta do seu doce exílio na cidade de Pombal na Paraíba, o cidadão patuense por merecimento, pauferrense por condição e caraubense por natureza, Marciel Antonio de sales, com seu apurado conhecimento acerca da maravilhosa arte nordestina, traz um livro sobre o poeta Belarmino de França, Um trovador do sertão. E para se ter uma idéia da perspicácia de tal artista transcrevo abaixo um trecho da bela literatura.
Na feira de Pombal, quando Belarmino cantava versos no meio da multidão, momento em que seu conterrâneo, do sítio Aba da serra, mandava sinais querendo saber se ele tinha gostado do jerimum caboclo que este o tinha presenteado:
Era um jerimum caboco
desse de ponta de rama
mole e sujo como lama
tinha água como coco
vingando em cima de um toco
um palmo acima da terra
encarnado que só guerra
tinha um gosto de cupim
foi o jerimum mais ruim
que deu na Aba da serra
Na feira de Pombal, quando Belarmino cantava versos no meio da multidão, momento em que seu conterrâneo, do sítio Aba da serra, mandava sinais querendo saber se ele tinha gostado do jerimum caboclo que este o tinha presenteado:
Era um jerimum caboco
desse de ponta de rama
mole e sujo como lama
tinha água como coco
vingando em cima de um toco
um palmo acima da terra
encarnado que só guerra
tinha um gosto de cupim
foi o jerimum mais ruim
que deu na Aba da serra